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Nesta Edição

Ponto da situação das eleições para a Ordem dos Médicos de Angola Comissão Nacional Eleitoral anuncia, em breve, as candidaturas válidas para o lugar de Bastonário

A Comissão Nacional Eleitoral da Ordem dos Médicos deve anunciar, em breve, as candidaturas válidas para o lugar de Bastonário, após um processo inicial conturbado. O Jornal da Saúde acompanhou a assembleia de médicos realizada a 25 de Janeiro no CC Belas, muito concorrida e crítica, onde ficou decidiu constituir uma nova comissão eleitoral, na qual constam os nomes de Matadi Daniel, Arlete Luiele, Xinganeca Caiaia e Domigos Bravo. Presentes no encontro estiveram os quatro pré-candidatos conhecidos. São eles, Mário Fresta, Elisa Gaspar, Miguel Bettencourt Mateus e José Luís Pascoal.

 

 

Letargia e não pagamento de quotas

Alguns candidatos já realizaram actos de campanha com discussão dos seus programas e apelo ao voto, enquanto outros aguardam pela validação das candidaturas e consequente autorização da Comissão Eleitoral. Com base nesses elementos e dados de arquivo, o Jornal da Saúde apurou que a médica Elisa Gaspar, em entrevista que concedeu recentemente ao jornal País, referiu “que a Ordem está sem eleições há muitos anos o que provocou um certo distanciamento dos profissionais em relação ao seu órgão de classe, influenciando negativamente a relação médico-Ordem, provocando comportamentos como o não pagamento de quotas, tendo em conta a letargia, do ponto de vista funcional, da direcção cessante”. A efectivação da municipalização dos serviços médicos na periferia, desde que criadas as condições condignas de habitabilidade e locomoção constituem outro dos pontos que defende. Na referida entrevista, a neonatologista garantiu que vai “trabalhar com a população, os órgãos do Estado (Inspecção Geral da Saúde, PGR, entre outros) na denúncia de técnicas de terapêutica aplicadas a população por profissionais não qualificados, de formação duvidosa”.

 

 

Problemas da classe médica são compreensíveis e decorrentes de dificuldades conjunturais

 

Quem é quem

 

Salário compatível, boas condições de vida e segurança social para a classe médica

Em entrevista ao Jornal de Angola, o pré-candidato Miguel Bettencourt Mateus disse “ser uma decisão resultante da abordagem de muitos colegas que o incentivaram a assumir o cargo de bastonário que, na sua opinião, é uma função que exige um determinado perfil, experiência profissional e conduta que se encaixam no perfil que possuo”.

Na entrevista Miguel Bettencourt, especialista em neurologia com doutoramento em neurofisiologia, acredita que pode chegar ao cargo de bastonário, uma convicção resultante das “pressões” que tem recebido de diferentes grupos de colegas que têm manifestado o seu apoio, além de que considera exigível para o cargo um percurso similar ao seu como médico. “Suponho que haja boas probabilidades de vitória”, admitiu o médico, que disse fazer sempre primeiro, quando parte para um processo desse tipo, uma análise cuidada das probabilidades.

Embora tenha sido lacónico, quando lhe foi perguntado sobre as grandes linhas de força do seu programa eleitoral, uma pergunta sobre se a dignificação da classe médica em Angola está ao nível que se deseja ou muito aquém da realidade dos países mais avançados, Miguel Bettencourt admitiu que os problemas da classe médica em Angola sejam, em parte, compreensíveis e decorrentes de dificuldades conjunturais e sublinhou que, “seguramente, estamos muito aquém do que é a valorização da classe médica nos países mais desenvolvidos”.

Por seu turno Mário Fresta, por ocasião das Jornadas do Médico Interno e das Jornadas Médicas Militares do ano passado, defendeu que os internatos de especialidade são um dos maiores e mais urgentes desafios, pelo que advogou o reforço dos critérios e a qualidade dos serviços idóneos para essas formações, pleiteando uma educação médica contínua dado que a arte médica exige constante estudo e actualização.

 

José Luís Pascoal é médico desde 1986 e tem uma pós-graduação em organização e gestão de cuidados primários de saúde e uma outra em gestão de topo em saúde. Já exerceu o cargo de director da Angomédica e da Cruz Vermelha de Angola, além de ter sido coordenador nacional da Campanha de Recuperação de Ética e Deontologia entre os Profissionais da Saúde, do projecto “Saúde Chegou” e do projecto de Reestruturação do Sistema de Saúde da província de Luanda.

Elisa Gaspar é médica neonatalogista da Maternidade Lucrécia Paim. Estudou medicina na Pyrogov Memorial Medical University e saúde pública internacional no Instituto de Salud Carlos III, Escuela Nacional de Sanidad. Estou também na Universidade Severino Sombra (Universidade de Vassouras, na região sul do estado do Rio de Janeiro). Recebeu prémios internacionais e é reconhecida pelo Banco de Leite Materno.

Miguel Bettencourt Mateus é médico desde 1989 e especialista em neurologia com doutoramento  em neurofisiologia clínica. O médico já exerceu o cargo de decano da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto e, actualmente, é o chefe do Serviço de Neurologia do Hospital Américo Boavida, presidente do Colégio de Especialidade de Neurologia e do Conselho Nacional de Ensino e Pós-graduação da Ordem dos Médicos de Angola. Foi um dos braços direitos do Bastonário cessante, Pinto de Sousa, presidindo também à comissão científica dos congressos da Ordem.

Mário Fresta é médico especialista e professor catedrático de Fisiologia da Universidade Agostinho Neto, director do Centro de Educação Médica - CEDUMED desde a sua fundação em 2003, dedicando-se actualmente à investigação e à formação contínua e pós-graduada de médicos, incluindo a “Especialização em Gestão em Saúde”, o “Mestrado em Educação Médica”, o “Doutoramento em Ciências Biomédicas” e diversos cursos de formação permanente que têm sido oferecidos em vários eventos, hospitais e províncias. Foi Vice-Reitor e Reitor da Universidade Agostinho Neto e Vice-Presidente da AULP.

 

 

Mário Fresta considera que os médicos precisam de um ambiente favorável e de condições sociais e de trabalho adequadas para exercerem com qualidade o seu ofício e, desta forma, sentirem-se realizados. Segundo apresentação no 1º Encontro dos Médicos Internos de Especialidade de Angola, constatou-se que a satisfação e a qualidade de vida dos médicos são percepcionadas como baixas, o que pode ter a longo prazo interferência na qualidade do serviço prestado. Por isso defende, como o fez nas Jornadas do Médico Interno da Clínica Sagrada Esperança, a sua protecção através de um bom serviço de medicina do trabalho e seguro de saúde, para além, em especial nas primeiras etapas da vida profissional – como policlínicos, internos gerais e internos complementares –, da garantia ao primeiro emprego, assim como ao trabalho e a formação requeridos à sua especialização, subsídios remuneratórios como o de isolamento (”periferia”), condições de habitação e transportação (protegidas por abonos, empréstimos, créditos e outros) e, sempre que necessário, condições para os cuidados e a escolaridade dos filhos e a assistência médico-medicamentosa familiar.

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