MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Manuel Filipe Dias dos Santos

Presidente do Conselho de Administração

Multiperfil

 

Formar, especializar, para melhor cuidar

 

Estimados profissionais de saúde,

 

O 4º Congresso de Ciências da Saúde da Clínica Multiperfil ocorre de 6 a 9 de Novembro de 2017,

ano marcado por notáveis acontecimentos políticos que determinarão a expectativa de um futuro melhor para o nosso País.

A Clínica Multiperfil mantendo-se determinante na defesa da qualidade da assistência médico-cirúrgica, da formação pós-graduada, da ética e deontologia dos seus profissionais e acreditando num futuro melhor, vai realizar um grande evento científico, sob o lema: Formar, Especializar para melhor Cuidar.

No ano em que, depois de honrosa caminhada, o Centro de Formação de Saúde Multiperfil dá lugar ao Instituto Superior de Ciências da Saúde Multiperfil, o 4º Congresso de Ciências da Saúde irá oferecer 65 Cursos, 12 Simpósios, nomeadamente, Anestesiologia, Cardiologia, Enfermagem, Fisioterapia, Gestão em Saúde, Gastroentereologia, Hematologia e Hemoterapia, Oftalmologia, Ortopedia, Patologia Clínica e Medicina Laboratorial, Pediatria e Neonatologia, Radiologia, além dos Workshops de Medicina Intensiva e de Cirurgia, entre outras actividades.

Em simultâneo, decorre a ExpoMultiperfil, com a presença dos principais laboratórios e distribuidores farmacêuticos, fornecedores de equipamento médico-hospitalar e serviços.

É com muita satisfação que convidamos a todos os profissionais da saúde a participar deste evento profícuo de discussão, de aprendizagem, de encontros e interacção entre médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, gestores e estudantes da área de saúde.

A sua presença será de elevada importância e a sua participação irá com toda a certeza contribuir para fazer deste 4º Congresso de Ciências da Saúde um marco histórico na busca de uma melhor saúde para o nosso país.

 

Esperamos por si.

 

 

 

 

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Ministra da Saúde,Sílvia Lutucuta.

“Vacinação é uma das prioridades”

 

No encerramento do encontro nacional de avaliação e planificação da campanha integrada de vacinação contra o sarampo, rubéola e poliomielite, que, em Outubro, deu formação a equipas municipais, a ministra da Saúde afirmou que “a imunização constitui um meio de baixo custo e altamente eficaz para a prevenção de doenças” e acentuou que devem ser atingidas altas coberturas de vacinação.

Sílvia Lutucuta, que falava pela primeira vez num evento público desde que foi nomeada ministra da Saúde, disse que os programas de vacinação constam nas prioridades do Executivo por serem instrumentos de saúde pública de eficácia comprovada para a melhoria da saúde e do bem-estar da população.

 

Sílvia Lutucuta reconheceu que o sector precisa de um esforço redobrado, em várias vertentes, para garantir a contínua redução da mortalidade materno-infantil e a melhoria das condições de trabalho dos funcionários e da assistência médica e medicamentosa aos utentes das unidades sanitárias públicas.

Em declarações à imprensa, depois de discursar no encontro nacional, Sílvia Lutucuta garantiu estarem “a trabalhar para melhorar, mas reconhecemos que as dificuldades são imensas”, acrescentando haver uma pressão muito grande sobre os hospitais.

A nova ministra da Saúde confirmou que mantém contacto com todos os responsáveis e intervenientes do sector. Neste contexto, já manteve encontros com directores nacionais e de hospitais da província de Luanda. Uma reunião para já com o Sindicato dos Enfermeiros de Angola está na agenda de trabalho de Sílvia Lutucuta, que assegurou ser prioridade dialogar com as associações profissionais.

Quando lhe foi perguntado sobre como pôr fim à escassez de medicamentos, a ministra Sílvia Lutucuta pediu aos cidadãos para manterem a calma porque tudo vai ser feito para o quadro ser invertido.

 

Progressos alcançados

A titular da pasta da Saúde reconheceu que os progressos alcançados no âmbito da redução da incidência das doenças imunopreveníveis, particularmente a eliminação da transmissão da poliomielite e o controlo com êxito da epidemia de febre-amarela devem-se ao aumento das coberturas de vacinação de rotina. A incidência do sarampo a nível nacional mostra uma redução de 27.259 casos. Em 2016, foram registados 943 casos e cinco óbitos e, no primeiro semestre deste ano, confirmados 166, com um óbito.

“Este é o momento propício para consolidar a eliminação desta doença, mediante uma campanha massiva de vacinação que integre outros antígenos, como a rubéola e a poliomielite”, realçou Sílvia Lutukuta, que disse estarem a ser redobrados esforços para o reforço da protecção contra as doenças imunopreveníveis em todos os municípios e comunas.

Os dados apresentados mostram que, no primeiro semestre deste ano, a vacinação contra a hepatite B atingiu 55 por cento, sarampo 83, poliomielite  70, pentavalente 77, rotavírus 55, pneumo 73, febre-amarela 57, tétano em grávidas 71 e BCG 94 por cento.

Apesar da crise financeira, Sílvia Lutukuta disse que o Governo tem garantido recursos financeiros para honrar o compromisso de disponibilizar as vacinas à população alvo, tendo disponibilizado 22 milhões de dólares este ano.

Números da OMS indicam que, com a introdução da vacina contra o pneumococo, foram reduzidas cerca de 700 mil mortes em 2015.

 

Ministério da Saúde vai melhorar a coordenação logística central

O encontro de planificação e avaliação da campanha integrada de vacinação, concluiu que, no período de Janeiro a Julho de 2017, a cobertura nacional de vacinação não atingiu a meta de 90 por cento em crianças com menos de um ano, excepto a BCG com 94 por cento.

Com o apoio da OMS e da Unicef, o encontro nacional contou com a participação de 142 técnicos e activistas de saúde e foi realizado com o objectivo de avaliar o desempenho do programa de imunização e promoção de saúde, capacitar as equipas técnicas provinciais na planificação integrada da vacina contra o sarampo, rubéola e pólio e treinar formadores provinciais para a introdução da vacina inactivada pólio.

Os participantes recomendaram a melhoria da coordenação logística central de vacinas, transporte, distribuição e intercâmbio de informação sobre o stock, acelerar o processo de distribuição e instalar novos equipamentos na cadeia de frio, bem como capacitar as equipas provinciais para a montagem e manutenção dos equipamentos solares.

O encontro considerou ser fundamental melhorar as condições de recepção das amostras provenientes das províncias e expandir a avaliação ambiental para as demais províncias, trabalho que está apenas confinado a Luanda, Benguela e Malanje. A reunião deu também ênfase à necessidade do reforço da campanha de vacinação antitetânica de rotina para mulheres em idade fértil, da promoção do parto seguro, da melhoria da cobertura do parto institucional e da supervisão epidemiológica na fronteira com os países vizinhos.

 

 

 

 

 

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Ministério da Saúde melhora informatização

com financiamento norte-americano

 

O Ministério da Saúde (MINSA) vai beneficiar de cerca de 2,8 milhões de dólares do governo norte-americano para melhorar o seu sistema de gestão de informação de saúde, através de dois sistemas informáticos.

 

O apoio, concedido através da Agência dos Estados Unidos da América para o Desenvolvimento Internacional (USAID), vai permitir introduzir as duas aplicações para a integração da informação a nível municipal, provincial e nacional.

Para a aplicação do sistema informático, o Gabinete de Estudos, Planeamentos e Estatísticas (GEPE) e o Gabinete de Tecnologia e Informática do MINSA organizam um seminário, em Outubro, com vista a criar um plano de trabalho nacional para os referidos sistemas de informação.

De acordo com os responsáveis do MINSA, o objetivo é desenvolver-se uma ferramenta que integre informação de diferentes áreas da saúde e áreas geográficas, assim como recolher dados provenientes de diferentes programas informáticos utilizados na recolha e análise de informação.

A integração de dados vai permitir banir "a existência de ilhas" e promover o alinhamento entre os actores nacionais e internacionais, permitindo um sistema de informação de saúde único para todo o país.

Esta estratégia terá sobretudo como foco o desenvolvimento de um plano nacional de introdução dos sistemas denominados Distrit Health Information Software (DHIS2 - aplicativo informático de informação distrital de saúde) e Eletronic Logistics Management Information System (ELMIS - sistema eletrónico de gestão de informação logística), para a recolha, análise e uso de indicadores-chave no setor da saúde.

A atividade a ser financiada através do projeto da USAID "Saúde para Todos", orçado em 63 milhões de dólares (53,2 milhões de euros), a ser implementado entre 2017 e 2021, visa melhorar a gestão de informação nas áreas da malária, HIV/SIDA, planeamento familiar e a capacitação de quadros locais.

A cerimónia de abertura foi presidida pelo Secretário de Estado da Saúde Pública, José Dias da Cunha e a Embaixadora dos EUA em Angola, Helen La Lime. O acto contou ainda com outros altos membros do governo de Angola e dos Estados Unidos, e de organizações locais e internacionais responsáveis pelo uso e gestão de informação para tomada de decisão no sector.

 

 

 

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INS apela à doação de sangue

 

O Instituto Nacional de Sangue (INS) faz um apelo para que os angolanos com os tipos sanguíneos A, B e O Negativos se desloquem a este Instituto para fazerem as suas dádivas.

Apela também a todos os dadores voluntários que não realizam uma doação há mais de quatro meses que compareçam no INS para fazer uma doação.

 

As reservas de sangue precisam ser reabastecidas com regularidade para dar uma resposta rápida à demanda das unidades de saúde do país.

A doação de sangue é um acto solidário e salva vidas. O sangue é insubstituível. Ainda não existe nenhum tipo de substância ou medicamento que possa substituí-lo ou a um de seus componentes. Somente uma pessoa saudável pode ajudar outra pessoa que precisa de sangue para sobreviver. Qualquer pessoa pode ter a sua vida em risco caso não haja doações regulares de sangue. Para que não falte sangue é importante que mais pessoas se tornem dadores voluntários e regulares de sangue.

A falta de reservas de sangue em quantidades adequadas é uma preocupação mundial. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) para que haja segurança quanto as reservas de sangue é preciso que, no mínimo, cerca de  1% da população, em cada país, doe sangue de duas a três vezes por ano. Significa dizer que em Angola precisamos de 250.890 pessoas a doar sangue regularmente.

 

Quem pode doar

Doar sangue é um acto simples, tranquilo e seguro que não provoca dor, risco ou prejuízo à saúde do dador. Todas as pessoas entre 18 e 65 anos podem doar sangue.

É preciso pesar no mínimo 50 quilos e estar em bom estado de saúde.

Um dador de sangue deve ter descansado pelo menos 7 horas antes da doação e ter feito uma refeição ligeira no dia da doação. Três horas após a doação pode fazer sua refeição normalmente.

Um dador de sangue não pode ter ingerido bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores à colheita, ou fazer uso de drogas ou entorpecentes.

Mundialmente, a dádiva de sangue é benévola e não remunerada. Um adulto tem entre 4,5 e 5,5 litros (igual a 4.500 e 5.500ml) de sangue no corpo. Uma colheita de sangue é de no máximo 450ml.

O corpo humano leva apenas 24 horas para repor toda a quantidade de plasma retirado em uma doação.

O sangue tem vários componentes, plasma, plaquetas, glóbulos vermelhos e glóbulos brancos. Uma transfusão pode ser feita utilizando apenas um dos componentes.

Os homens podem doar sangue de 3 em 3 meses e as mulheres de 4 em 4 meses.

Basta 30 minutos do seu dia para fazer uma doação de sangue .

Cada unidade de sangue colhido pode salvar 4 adultos ou 8 crianças.

Em Luanda existem 22 locais de colheita onde pode ser feito uma doação de sangue.

Em todas as províncias angolanas existem centros de colheita de sangue.

Em todos os centros de colheita o dador é atendido por pessoal capacitado e qualificado para esta função.

Procure um centro de colheita registado no Instituto Nacional de Sangue.

 

Informações:

INS – Rua do 1º Congresso do MPLA , Largo do Hospital Josina Machel

Tel. 921 640 621

e-mail: eunice.manico@insminsa.co.ao

 

 

 

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Sucesso ultrapassou as expectativas.

Meditex lança plano de saúde ao alcance de todos

 

A clínica Meditex lançou, em Setembro, um plano de saúde que registou uma elevada taxa de aceitação pela população. O cartão – que dá acesso a um conjunto de benefícios extensíveis aos familiares – custa apenas 7 mil kwanzas. Só na primeira semana, inscreveram-se 140 pessoas.

 

“Queremos levar a saúde a toda a família” assegura à reportagem do Jornal da Saúde a directora comercial, Hilda Cabrera, para quem a “proximidade, a atenção à população e a qualidade” são os factores diferenciadores da Meditex.

A facilidade de adesão, o preço e as vantagens que oferece são as razões que explicam o seu êxito. O cliente que peça o cartão nos serviços desta unidade de saúde, beneficia de imediato, gratuitamente, de uma consulta de qualquer especialidade e de uma deslocação de um médico ao seu domicílio para atender qualquer membro da sua família, “seja a avó ou a filha”, diz-nos Hilda Cabrera. A partir desse momento, o cliente da Meditex passa a beneficiar de um desconto de até 10% em todos os serviços e consultas, excepto nos medicamentos.

Entretanto, a clínica iniciou um programa de tratamento de fertilidade que inclui a inseminação artificial. Na primeira consulta é realizado o historial clínico da paciente, uma avaliação ginecológica e são solicitados os exames e análises clínicas necessários para determinar o tratamento mais indicado.

 

 

 

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Lubango.

Programa da União Europeia reforça a formação de enfermeiras parteiras

e enfermeiros pediátricos

 

O Programa de Apoio ao Sector da Saúde (PASS II), financiado pelo União Europeia e que tem como objectivo o reforço institucional do sector da saúde, realiza de 6 a 9 de Novembro dois encontros que se traduzirão em melhoria na formação das enfermeiras parteiras e dos enfermeiros pediátricos, a ocorrer na Escola de Formação de Técnicos de Saúde do Lubango, na província da Huíla.

Tratam-se da 2ª Reunião Técnica (dia 6) e do 2º Encontro Interprovincial (de 7 a 9), duas actividades que visam o fortalecimento do corpo docente dos referidos cursos através do desenvolvimento de materiais pedagógicos necessários à implementação dos currículos dos cursos pós-médio de enfermagem (pediátrica e obstétrica).

A iniciativa é voltada aos coordenadores e docentes dos referidos cursos nas cinco províncias-alvo do PASS II, que são Benguela, Huíla, Huambo, Bié e Luanda. Juntam-se à iniciativa também os integrantes da secção de Ensino da Direcção Nacional de Recursos Humanos do MINSA, além de responsáveis pelo PASS II e da Delegação da União Europeia em Angola.

 

 

Manual de Enfermagem

Obstétrica

A programação contará também com a apresentação do Manual de Enfermagem Obstétrica, que se insere nos instrumentos para ensino-aprendizagem e que será complementado pelo caderno de orientações metodológicas para os docentes. Os dois materiais servirão de importante apoio aos professores no ensino das disciplinas dos cursos de enfermagem obstétrica e também para apoiar o pessoal formado no desenvolvimento do seu trabalho diário na unidade sanitárias. Com 22 capítulos e cerca de 400 páginas, o Manual de Enfermagem conta com artigos de autores convidados – nacionais e portugueses, – e ilustrações didáticas que auxiliam a aprendizagem.

 

 

 

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A BIAL e a SHALINA patrocinaram o evento, com o apoio do Jornal da Saúde de Angola

Problemas de saúde mental no local de trabalho.

MINSA quer levar mais informação sobre as causas, prevenção e tratamento a toda a sociedade

 

O ministério da Saúde anunciou em Luanda a intenção de desenvolver um plano de sensibilização e informação sobre as causas, modos de prevenção e tratamento dos problemas de saúde mental no local de trabalho, com o envolvimento de toda a sociedade.

 

A revelação foi feita no encerramento de uma conferência de dois dias sobre a Saúde Mental no local de trabalho que marcou o ponto mais alto das celebrações do 25º aniversário do Dia Mundial da Saúde Mental, em Angola.

O evento que decorreu no Centro de Imprensa Aníbal de Melo, em Luanda, na presença de 341 participantes e 15 oradores, foi organizado pela Direcção Nacional de Saúde Pública / MINSA, apoiado pelo Jornal da Saúde, e contou com a participação de vários parceiros, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O tema Saúde Mental do Local de Trabalho foi escolhido este ano pela OMS como forma de apoiar os países a superar as barreiras colocadas na prevenção e tratamento das doenças deste fórum, como a falta de informação, a ausência de diálogo, o estigma e as questões culturais.

Para o Ministério da Saúde, promover a saúde mental no local de trabalho é também um meio para a edificação de uma sociedade saudável. Numa mensagem enviada aos participantes da conferência de Luanda e lida pelo director dos recursos humanos do MINSA, a recém-nomeada ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, recordou que está a ser criada, desde 2014, uma rede integrada de serviços de saúde mental a nível dos cuidados primários, com o objetivo de melhorar o atendimento aos pacientes. «Estamos empenhados em consolidar e expandir estas acções a nível nacional», disse.

Sílvia Lutucuta realçou ainda a necessidade de todos os actores, incluindo profissionais de saúde, académicos, educadores, investigadores, empregadores públicos e privados e comunidades, «trabalharem juntos para melhorar a saúde em todos os seus aspectos. A dignidade da saúde mental, acrescentou ela, exige que todos os membros da sociedade trabalhem juntos, sem tabus, sem preconceitos e sem estigmas».

Também, como refere a directora regional da OMS para África, Matsihidiso Moeti, em mensagem enviada, «muitas pessoas não procuram ajuda por falta de informação e estigma», e, apesar das leis sobre a igualdade de oportunidades no trabalho para portadores de deficiência, a doença mental encontra-se associada aos mais desfavorecidos em termos de taxas de emprego. A OMS considera ainda que a aceitação social das pessoas com doença mental não melhorou muito nos últimos 20 anos.

 

 

 

 

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Entre os presentes, o Director da DNSP, Miguel Oliveira, o Director dos RH/MINSA, António Martins, o responsável da Associação de Apoio Psicossocial do Huambo, Helder Sacuema, o coordenador editorial do Jornal da Saúde, Rui Moreira de Sá e o representante da OMS, Hernando Agudelo

Director dos RH / MINSA, António Martins.

«Temos de expandir os serviços a todos os que necessitam»

 

O director dos Recursos Humanos do MINSA, António Martins, falando em nome da ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, disse que a saúde mental no local de trabalho está alinhada aos objectivos definidos pelo governo angolano para a saúde, o bem-estar da população e o desenvolvimento sustentável.

«Trata-se de uma abordagem multisectorial de importância fundamental para o alcance dos objectivos traçados pelo Executivo, rumo a uma sociedade saudável», afirmou.

Depois de recordar que Angola se juntou ao mundo na campanha contra a depressão, lançada a 7 de Abril de 2017, por ocasião do Dia Mundial da Saúde, António Martins reafirmou o empenho em prestar e expandir serviços em tempo certo a todos os que precisam, como as vítimas de transtornos causados pelo consumo do álcool, drogas, depressão, transtornos de humor e outras doenças psicossomáticas.

Também reconheceu que Angola vive desafios específicos na área da saúde mental, que vão desde a necessidade de prevenção de distúrbios no seio da família, da sociedade e no local de trabalho à resposta ao seu impacto económico e social. «Problemas como o álcool, as drogas e a violência doméstica levam à destruição das famílias, a quebras na economia e afectam o desenvolvimento da sociedade», alertou.

«Desde 2014, o Ministério da Saúde tem vindo a criar uma rede integrada de serviços de saúde mental no primeiro nível da atenção, distribuídos por seis províncias (Luanda, Huambo, Huíla, Benguela, Malanje e Cabinda), assistindo um total de 330.508 doentes até à data», rematou.

 

«Desde 2014, o Ministério da Saúde tem vindo a criar uma

rede integrada de serviços de saúde mental no primeiro nível

da atenção, distribuídos por seis províncias (Luanda, Huambo,

Huíla, Benguela, Malanje e Cabinda), assistindo um total de

330.508 doentes até à data»

 

 

 

 

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Representante da OMS, Hernando Agudelo.

«É no local de trabalho que passamos mais de 60% do nosso tempo»

 

O Representante da OMS em Angola, Hernando Agudelo, também destacou a importância crescente das campanhas de sensibilização pública sobre os problemas ligados à saúde mental para que a luta contra o estigma e a discriminação das pessoas – que directa ou indirectamente são afectadas por tais patologias – seja mais eficaz.

Discursando na sessão de abertura da conferência, Hernando Agudelo notou que a globalização e as novas tecnologias do século XXI têm contribuído para um maior stress associado ao trabalho, além de outros conflitos e distúrbios. «Uma em cada cinco pessoas no local de trabalho tem problemas relacionados com a saúde mental», enfatizou, explicando como o estigma e a fraca sensibilização para a abordagem correcta destes problemas podem aumentar barreiras e afectar a equidade no trabalho.

«Frequentemente, pessoas com distúrbios mentais escondem os seus problemas de saúde por falta de um espaço amigável ou gratificante e por terem medo da discriminação», explicou ainda.

«É no local de trabalho onde uma boa percentagem da população em idade activa passa mais de 60% do seu tempo. A OMS considera por isso que o Dia Mundial da Saúde Mental oferece uma oportunidade para incentivar um debate franco sobre os problemas do quotidiano e promover práticas que nos orientem para reduzir comportamentos negativos, capacitar os indivíduos e agir sobre as causas das doenças mentais no local de trabalho.», disse ao concluir.

 

 

“Uma em cada cinco pessoas no local de trabalho

tem problemas relacionados com a saúde mental”

 

 

 

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Conferência sobre Saúde Mental considera primordial incentivar a promoção da saúde mental no local de trabalho

 

Procurando chamar a atenção da sociedade para os problemas relacionados com a saúde mental e o trabalho, o Programa de Saúde Mental do MINSA realizou uma Conferência Nacional nos dias 10 e 11 de Outubro.

 

TEMAS

A conferência contou com a presença de 341 participantes e 15 oradores que dissertaram sobre os seguintes temas:

— Saúde mental no trabalho: prevenção e atenção ao stress laboral;

— Motivação como factor de aumento de produtividade; boas práticas, atenção a saúde mental e emocional dos trabalhadores das empresas BP, Unitel e Chevron;

— A importância da saúde mental na humanização dos serviços de saúde;

— O papel da sociedade civil na promoção de saúde mental dos docentes e familiares;

— Importância da orientação profissional no local de trabalho;

— Influências familiares como consequência na trajetória desviante;

— Prevenção e atenção stress laboral;

— Bullying e assédio moral.

 

CONCLUSÕES

Dentre as várias conclusões destacam-se:

— O bem-estar no local de trabalho é crucial para assegurar uma força de trabalho saudável e sustentável; para o aumento da produtiva e alcance das metas traçadas;

— A motivação por parte do empregador é um factor de aumento de produtividade para o funcionário;

— O empregador pode actuar como agente da mudança quando identifica sinais e sintomas de stress laboral.

— A inexistência de serviços de saúde mental em todas unidades sanitárias é um empecilho para a humanização de saúde.

 

Recomendações da Conferência de Luanda

A Conferência de Luanda recomendou:

— Incentivar a promoção da saúde mental no local de trabalho

— Capacitar as famílias e profissionais para a promoção de uma boa saúde mental;

— Estimular as melhores práticas para a redução de comportamentos negativos;

— Investigar qual o grau da síndrome de Bournout* nos trabalhadores;

— Criar políticas de aconselhamento e programáticas na comunidade, com os pais, filhos e as instituições;

— Criar gabinetes de apoio psicológico e de assistência social de forma multidisciplinar e multissectorial deve ser prioridade nas instituições privadas e estatais para melhores resultados;

— Realizar mais eventos de informação sobre educação para a saúde;

— Criar painéis nas entradas dos hospitais com os deveres e direitos dos pacientes e profissionais de saúde.

* A síndrome de Burnout (do inglês to burn out, algo como queimar por completo), também chamada de síndrome do esgotamento profissional, foi assim denominada pelo psicanalista nova-iorquino Freudenberger, após constatá-la em si mesmo, no início dos anos 70. A dedicação exagerada à atividade profissional é uma característica marcante de Burnout, mas não a única. O desejo de ser o melhor e sempre demonstrar alto grau de desempenho é outra fase importante da síndrome: o portador de Burnout mede a autoestima pela capacidade de realização e sucesso profissional.

 

 

 

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Bullying e assédio moral no local de trabalho

 

“Muitos dos adolescentes bullies tornam-se adultos perversos, que continuam a agredir os pares ou os seus subordinados em contexto laboral”

 

Luisa Carrilho

O bullying é uma forma de comportamento descrita como deliberada, persistente, sendo difícil às vítimas defenderem-se.

Os professores lidam no seu quotidiano profissional com comportamentos de bullying, assistindo aos aspectos marcadamente negativos para as vítimas afetadas, nomeadamente no seu rendimento escolar.

A crescente visibilidade de comportamentos agressivos em contexto escolar motivou a realização da investigação sobre bullying, que a autora apresentou na Conferência.

A urgência de intervenção perante este fenómeno é justificada pela instabilidade que provoca em contexto escolar, mas sobretudo, pelas consequências traumáticas, tanto para as vítimas dessa violência, como para os bullies, impedindo a sua integração na comunidade.

Quando avaliado precocemente o bullying pode ser preditor de psicopatia. Muitos dos adolescentes bullies tornam-se adultos perversos, que continuam a agredir os pares ou os seus subordinados em contexto laboral. Este comportamento que ocorre no local de trabalho é designado por mobbing ou assédio moral.

 

 

 

 

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Influências familiares na trajetória desviante

 

A professora universitária Luísa Carrilho apresentou os resultados de uma investigação efetuada em Portugal, em que são protagonistas alunos de diferentes escolas do ensino oficial, bem como os seus encarregados de educação e professores. Participaram também nesta investigação alunos institucionalizados em colégios que estão sob a alçada do ministério da Justiça, os seus professores e os seus progenitores.

Atendendo aos resultados desta investigação, que apontam para as diferentes influências familiares na trajetória desviante, considera-se urgente uma intervenção preventiva nos comportamentos delinquentes dos adolescentes, introduzindo uma nova dinâmica nos sistemas familiar, escolar e na comunidade, nomeadamente a nível das relações de vizinhança e da ocupação de tempos livres para adolescentes e suas famílias.

Por outro lado, e no que se refere aos adolescentes institucionalizados, a sua reinserção social tem que passar pelo envolvimento do seu sistema familiar no processo de reabilitação.

 

 

 

 

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O que se disse no dia mundial da saúde mental 2017

 

António Martins

«A saúde mental no local de trabalho está alinhada aos objectivos definidos pelo Executivo angolano. O país precisa de uma sociedade mais saudável e este acto deve constituir um marco nos esforços multisectoriais nesse sentido»

 

Matshidiso Moeti

«Embora esteja bem definida a relação entre stress laboral e uma má saúde mental, esta é frequentemente menosprezada, enquanto aspecto fundamental da saúde dos trabalhadores»

 

Miguel Oliveira

“A saúde mental tem um impacto muito importante no desenvolvimento económico e no bem-estar das comunidades. Todos devemos trabalhar juntos, sem tabus, preconceitos e estigmas.

 

Hernando Agudelo

«É no local de trabalho onde uma boa percentagem da população em idade activa passa mais de 60% do seu tempo.»

 

Massoxi Adriana Vigário

«Um ambiente saudável e gratificante é importante para uma saúde mental positiva e um espaço amigável para a saúde mental no trabalho. Os empregadores podem ser agentes desta mudança no local de trabalho».

 

Luísa Carrilho

"Muitos dos adolescentes com comportamentos de bullying

tornam-se adultos perversos que continuam a

agredir os pares, ou os seus subordinados, em contexto

laboral. Designa-se por mobbing ou assédio moral"

 

 

 

 

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Sabia que

Adrenalina: hormona e também um neurotransmissor com acções de mobilização das funções orgânicas para enfrentar as situações de stresse, através da aumento da frequência cardíaca e da disponibilidade de glicose para os músculos e cérebro. Tem também um papel imunodepressor.

 

Cortisol: hormona envolvida na resposta ao stresse, aumentando a pressão arterial, a glicemia (concentração de glicose na sangue) e diminuindo a nossa resposta do sistema imunitário.

 

Stresse: lutar ou fugir?

 

José Soares

Fisiologista

 

Imaginemos as seguintes situações: a Inês, que tem uma reunião às nove horas da manhã no centro de Luanda, fica bloqueada no trânsito na estrada da Samba; o Luís está num momento decisivo para a sua empresa tendo que decidir, em minutos, a compra de um imóvel para a nova sede; o Pedro está na linha de partida para uma prova de 100 metros que lhe pode dar os mínimos para o apuramento no campeonato do mundo. Se atentarmos nestas três situações, existe um aspecto comum que os une: o stresse.

 

Esta entidade de que tanto se fala o que é na realidade e onde se localiza? A Inês, o Luís e o Pedro todos tiveram sensações comuns: o coração acelerou, a respiração tornou-se mais profunda, e os músculos ficaram mais tensos. Para além destas reacções, a Inês ficou ruborizada na cara e o Luís sentiu-se a suar e até ficou nauseado, tal era a importância da decisão!

Do ponto de vista biológico, estas manifestações associadas ao stresse resultam da activação de um sistema de alarme situado no cérebro - o hipotálamo. Esta estrutura é responsável por diferentes funções orgânicas tais como a temperatura, o sono e o apetite. Durante uma situação de stresse intenso, o hipotálamo segrega uma hormona - factor de libertação da corticotropina - que "viaja" até à glândula pituitária para ser produzida a hormona adrenocorticotrófica. Esta hormona entra na corrente sanguínea, estimulando as glândulas adrenais para ser libertada adrenalina e cortisol. Estas duas hormonas são responsáveis por fazer "despertar" o nosso corpo para enfrentar o stresse através de uma reacção chamada "luta ou foge" ("fight or flight").

Pelos efeitos da acção do cortisol e da adrenalina poderemos inferir da importância destas substâncias químicas na sobrevivência da humanidade - foram elas as responsáveis pelo estado de prontidão fisiológica que nos tem permitido, ao longo da História, enfrentarmos todas as adversidades da vida. Ou seja, umas vezes escolhemos "lutar", outras "fugir". Na vida selvagem ou nos negócios, o stresse pode ser decisivo na nossa capacidade de enfrentar adversidades. Neste contexto, o denominado "efeito de treino" assume uma relevância particular. Poderíamos resumir o princípio desta lei biológica através da seguinte frase: quando fazemos alguma coisa, alguma coisa acontece! Nenhuma das nossas acções é inócua.

Tal como a terceira lei de Newton - para cada acção há uma reacção oposta de igual magnitude - quando agimos promovemos uma resposta indissociável da sua origem, da sua génese. No caso em apreço, se optarmos por fugir sistematicamente dos problemas, nunca vamos proporcionar ao nosso organismo uma capacidade de reagir a situações que, por diferentes razões, não conseguimos escapar.

O nosso sistema neuro-endócrino (sistema nervoso e hormonal) vai interpretar o confronto com uma situação de stresse como algo de novo e para a qual não está treinado, não está habituado. Tal como numa resposta alérgica, o sistema vai reagir exagerando. E uma resposta fisiológica exagerada, não só é pouco económica, como é muito pouco eficaz. É o princípio do erro. E este está na base da relação entre elevadas quantidades de cortisol na corrente sanguínea e o insucesso na Bolsa descrito num recente estudo publicado no Proceedings of National Academy of Sciences New York.

 

Fuga versus treino

Em oposição à fuga permanente, o efeito do treino diz-nos que se nos expusermos de forma controlada e repetida a situações de stresse, o que acaba por acontecer é como que um reconhecimento (tal como o sistema imunitário identifica um agente agressor conhecido) da agressão e uma resposta adequada e não exagerada. Se pensarmos que a melhor forma de nos protegeremos contra o stresse é vivermos afastados dos possíveis agentes desencadeadores, como diz o efeito do treino "alguma coisa acontece" - desadaptação.

Ainda que se saiba que o stresse crónico tem efeitos devastadores na saúde, será o mais puro engano pensarmos que, na sociedade actual, poderemos sobreviver sem conseguirmos gerir o stresse. Teremos de, através da exposição, aprendermos e fazermos aprender o nosso organismo a encarar estes desafios emocionais como alicerces para uma forma de estar mais actuante, mais predisposta, mais disponível.

É assim com o treino físico - ao fim de alguns dias corridas ligeiras, as nossas pernas parece que resistem melhor às subidas e ao aumento da velocidade. É assim com o treino mental - exercícios de concentração, de "engagement", tornam-nos mais centrados na tarefa, mais produtivos - é enfim, assim com a vida. Não é a "fuga" que nos mantém ainda no nosso planeta como uma espécie que resistiu. Foi a "luta" contra a agrura do clima e do meio. Tal como agora, é a luta, a resiliência, que nos manterá capazes de responder ao stresse dos negócios, ou do nosso emprego, de forma ajustada, controlada e, acima de tudo, eficaz e saudável.

 

 

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Presenteísmo:

Problema do tapete da empresa?

 

Vi há algum tempo uma frase muitíssimo interessante da Editor in Chief do American Journal of Health Promotion, que ditava assim: "A maior parte das empresas gasta mais nos tapetes do que em quem os pisa!" Esta frase, célebre pela mensagem que produz, encerra um conteúdo muito importante: os líderes das empresas preocupam-se frequentemente mais com as condições materiais da empresa do que com os recursos humanos.

 

Se perguntarmos a um conjunto de PCA se acham que os seus colaboradores seriam mais produtivos se fossem mais saudáveis, mais activos, mentalmente focados nas suas tarefas, se tivessem uma relação saudável com os familiares/amigos e se mantivessem um compromisso com a missão da empresa, estou certo que todos diriam que esse seria o modelo de colaborador que desejariam ter. No entanto, se depois desta resposta, colocarmos a pergunta: "E o que fizeram até agora para isso?" Veremos que as respostas serão muito mais dispersas.

Todos nós facilmente concordamos que, para sermos mais produtivos, teremos de nos sentir bem com o nosso corpo, teremos de ser saudáveis, de estarmos mentalmente focados, emocionalmente ligados e espiritualmente alinhados com a missão e estratégia da empresa. Todavia, quantos de nós fazemos algo para concretizarmos este objectivo? Quantos de nós inscrevemos esta preocupação na estratégia global da empresa?

A este propósito, existe hoje claramente descrita uma nova forma de diminuição da produtividade. Conhecíamos já o absentismo, falamos agora de "presenteísmo". O que significa este novo termo? Diminuição da performance por problemas médicos e psicológicos. Ou seja, o trabalhador está no seu local de trabalho, não falta, mas a sua produtividade é francamente diminuída porque está sem motivação, tem dificuldades físicas (lombalgias, dores de cabeça constantes, astenia etc.) e psicologicamente sente-se mal porque se apercebe que não está a produzir o que deveria.

É um ciclo vicioso que perigosamente se aproxima do "burnout" físico e psíquico. Esta nova entidade, designada aqui por presenteísmo, é já objecto de estudos de impacto económico e social. As empresas não sofrem apenas com a diminuição da performance, mas acabam por ser também oneradas com os custos inerentes à entrada em falência física dos seus colaboradores. Os primeiros dados apontam para prejuízos superiores aos causados pelas faltas dos trabalhadores por doença!

Desta forma, poderemos criar, por um lado, um sistema de alerta para os possíveis casos de presenteísmo e, por outro, envolver esse colaborador num programa que o ajude a ultrapassar e a resolver uma fase menos boa que, detectada e enquadrada a tempo, poderá ser resolvida. Pensar apenas no "tapete" e não em quem o pisa é um erro estrategicamente grave que leva muitas vezes a consequências irreparáveis.

 

 

 

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O que “stressa” os angolanos?

 

Francisco Cosme dos Santos

 

Costuma sentir-se stressado? Que motivos o levam a sentir-se desse modo?

E o que costuma fazer para tentar contrariar o stress?

 

É um dos males mais frequentes das sociedades modernas e uma das queixas mais habituais de todos quantos enfrentam quotidianos agitados e exigentes. Fisicamente, o stress é uma reacção do organismo a uma situação de perigo e prepara o corpo para reagir a uma ameaça. Em momentos de pressão psicológica ou angústia, o organismo encara a situação como sendo de perigo e desencadeia os mesmos mecanismos que activa em momentos de risco. Quando estamos constantemente sujeitos a momentos de pressão, o stress deixa de ser uma arma para passar a estar na origem de variadíssimos problemas de saúde que se podem manifestar psicológica ou fisicamente.

A reportagem do Jornal da Saúde foi tentar perceber o que “stressa” os angolanos e o que é que eles fazem para combater os efeitos da ansiedade. Junto da psicóloga clínica Massoxi Vigário, tentámos conhecer, de forma científica, a questão do stress e quais as formas mais indicadas de o combater.

 

Atritos com os vizinhos

Estudante Universitária,

Maria Pedro

 

Às vezes sinto-me mais ansiosa, quando estou cansada, quando me aborrecem, ou mesmo sem ter grandes motivos. Também acontece se estiver a enfrentar alguns atritos com os vizinhos, problemas de trânsito ou com a forma de gerir o meu tempo, por exemplo. Para controlar o stress tento ter sempre a máxima calma e levar a vida com maior naturalidade possível.

 

Quotidiano agitado

Estudante do Ensino Superior,

Hélio dos Santos

 

Queixo-me de ansiedade, sobretudo, quando o meu dia correu mal ou foi bastante turbulento, ou quando os meus projectos não se concretizam conforme foram projectei. Para controlar o stress tenho por hábito ingerir muitos líquidos, principalmente água, para descontrair a mente, ouvir música e respirar ar puro.

 

Situação incomodativa

Farmacêutica,

Maria António

 

Sinto que estou stressada quando meu temperamento muda repentinamente, o que pode acontecer se houver qualquer situação ou alguma coisa que me incomodam, mesmo que sejam pequenas questões que noutras situações em considerasse serem normais ou passageiras. Para ultrapassar estes momentos, faço caminhadas e procuro estar mais tempo com as minhas amigas.

 

Demasiadas expectativas

Estudante Universitário,

Bráulio Neto

 

Acho que sou especialmente afectado pelo stress quando espero algo de alguém, sem saber concretamente o que me pode me oferecer ou, então, o que me poderá pedir. Também me sinto mais ansioso nos momentos em que tenho de enfrentar engarrafamentos. Para controlar a ansiedade procuro praticar actividade física.

 

Planos que correm mal

Farmacêutica,

Maria Zola Matulona

 

O stress afecta-me mais quando estou aborrecida ou alguma coisa me correu mal. Sempre que sinto que me estou a sentir mais afectada, tento manter a calma, por exemplo em ambientes agitados, ou deixo as coisas fluírem naturalmente. Faço  por tudo para não me enervar facilmente.

 

Afazeres profissionais

Gineco-obstetra,

Matondo Alexandre

 

Deixo-me afectar pelo stress quando tenho de desempenhar, ao mesmo tempo, várias tarefas de trabalho que envolvem a minha entrega total. Para evitar perder a calma, pratico desporto, aprecio as artes e faço passeios.

 

Falta de tempo

Funcionária Pública,

Leonilde Bravo da Silva

 

Costume sentir-me stressada quando o meu nível emocional não está bom, ou se tiver várias questões para resolver e não consigo fazê-lo a tempo e horas. Para tentar controlar as emoções, frequento alguns espaços de lazer, vou ao cinema, à praia e também faço passeios com a família.

 

 

 

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A perspectiva científica.

Psicóloga Clínica, Massoxi Vigário

 

No contexto sociológico, os indivíduos numa determinada sociedade dizem que estão stressados, ou com stress, quando colocados mediante  uma situação de pressão provocada por estímulos internos ou externos. O stress é uma situação de tensão, física ou psicológica, fora do habitual, que provoca um estado ansioso no organismo.

Pode resultar em perturbações orgânicas e psíquicas provocadas por vários estímulos ou agentes como o frio, uma doença infecciosa, uma emoção, um choque cirúrgico, condições de vida muito activa e outras.

Os estímulos internos baseiam-se, sobretudo, em questões pessoais que acabam por afectar o nosso equilíbrio relacionadas  com metas que queremos atingir, planificação individual, desafios que enfrentamos, necessidades ou carências que as pessoas têm ou possam vir a ter. Estes estímulos ocorrem, muito frequentemente, quando fizemos planos, criámos desejos e idealizámos coisas que não conseguimos alcançar. Muitas vezes, isto acontece porque pretendemos alcançar objectivos que não são possíveis de atingir dentro das nossas possibilidades e que tornam as nossas expectativas muito elevadas. Essas expectativas acabam por ser frustradas, o que acaba por gerar stress.

Os estímulos externos são aqueles que se baseiam em todas as pressões que têm a ver com as nossas vivências e convivências diárias como, por exemplo, ter que andar de táxi ou de transporte público e ficar muito tempo na paragem à espera, as dificuldades que enfrentamos para chegar a um determinado compromisso, quer seja de trabalho ou de outra natureza, não receber salário no final do mês, ser alvo de provocações, entre outros.

Para se controlar o stress deve-se tentar eliminar, em primeiro lugar, os factores de risco que causam o problema.

 

Como evitar

Primando sempre pelo treinamento do auto-controlo e domínio, também se devem evitar conflitos nos ambientes em que estamos inseridos; evitar idealizar um projecto de vida que, sabemos à partida, que não temos possibilidades claras de alcançar a curto, médio e longo prazo; ter a consciência do nosso potencial e de todos os desafios que os nossos planos impõem; fazer exercício físico regularmente; frequentar convívios culturais que nos enriqueçam (dançar, ouvir música, cantar); fazer leituras; aprender a gerir o tempo; procurar companhias agradáveis; integrar-se em grupos religiosos; aprender a lidar com as pessoas; promover diálogos que tragam harmonia à casa ou ao seio familiar; alimentar-se saudavelmente. Se trabalha num ambiente fechado, como um escritório, faça intervalos curtos, de um minuto e meio a dois minutos, para relaxar. E procure ingerir muitos líquidos, preferencialmente água.

 

 

 

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Angola com seis novos casos de cancro todos os dias

 

Francisco Cosme dos Santos

 

 Angola regista diariamente seis casos de cancro e só no primeiro semestre deste ano são já 115 o número de novos casos de cancro da mama, informou Albertina Manaças, responsável pela área da prevenção do Instituto Angolano de Controlo do Cancro, alertando que os números "tendem a crescer e são assustadores".

Falando na cerimónia de lançamento da "Marcha Outubro Rosa 2017", iniciativa da Liga Angolana Contra o Cancro (LACC), que visa alertar a sociedade sobre a prevenção e combate do cancro, Albertina Manaças, admitiu que o cancro da mama está a atingir proporções preocupantes.

"Em 2016, tivemos cerca de 248 casos de cancro de mama e no primeiro semestre deste ano registámos já cerca de 115 casos. Então é para ver que à medida que o tempo vai passando os casos vão aumentando", assegurou a responsável.

A oncologista apontou, por outro lado, "alguma melhoria na prevenção primária" da doença durante as visitas que os técnicos da LACC realizam. “Vamos às ruas, aos mercados e temos notado alguma melhoria principalmente na prevenção primária", apontou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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A marcha Outubro Rosa mobilizou, em Luanda, largas centenas de participantes, com vista a consciencializar a sociedade em geral, e a mulher em particular, sobre a importância da prevenção do cancro da mama

A marcha Outubro Rosa, realizada pela Liga Angolana Contra o Cancro e IACC, contou com a participação de pessoas que padecem da doença, amigos, familiares, profissionais de saúde e cidadãos em geral

Mais de 80 ciclistas saíram às ruas de Luanda, percorrendo cerca de 110 quilómetros, para abraçar a causa da prevenção do cancro da mama. Apoiada pela associação provincial da modalidade (APCIL) e Polícia Nacional, os atletas solidários partiram da centralidade do Kilamba, em direcção à Avenida Fidel Castro (Via Expresso), à média de 30 quilómetros / hora

Ana Pascoal

Tive um cancro em 2012. Ultrapassei, fazendo o tratamento com base em quimioterapia e radioterapia. Agradeço também a Deus pela cura e força que recebi.

Marcelina João

No auto-exame da mama que fiz notei um caroço estranho. Fui fazer a consulta para saber o que era e porque tinha aquele problema. Aconselho as mulheres a fazerem o auto-exame, antes ou depois do banho. No caso de termos uma anomalia poderemos começar cedo o tratamento.

Presidente da Liga Angolana Contra o Cancro, André Panzo

Os angolanos não conhecem bem a doença. Alguns pensam até que é um mito, ou uma invenção. Mas, na verdade, é uma realidade bem presente no nosso dia-a-dia.

Independentemente dos estilos de vida de cada um de nós, qualquer um esta sujeito a contrair a doença, por isso, devemos aderir aos eventos realizados em prol do combate ao cancro para vencermos esta luta.

 

A directora da maternidade Lucrécia Paím, Adelaide Carvalho,  acompanhada por colegas da DNSP, marcou presença na marcha

A ministra da saúde, Sílvia Lutucuta, foi acompanhada pelo director do Instituto Angolano de Controlo do Cancro, Fernando Miguel, entre outros responsáveis, na visita que efectuou a esta unidade de saúde

A médica Joseth de Sousa – sempre muito activa na promoção da saúde – no centro dos balões rosa, acompanhada de colegas

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