MINISTÉRIO DA SAÚDE

GOVERNO DA REPÚBLICA DE ANGOLA

CARLOS ALBERTO PINTO DE SOUSA

Presidente do Congresso

e Bastonário da Ordem

dos Médicos de Angola

 

Os médicos e a criação de um

ambiente favorável para a saúde

 

A Ordem dos Médicos de Angola realiza, em Luanda, a 25 e 26 de Janeiro de 2018, o XII Congresso Internacional sob o lema “Os médicos e a criação de um ambiente favorável para a saúde”. Trata-se de uma iniciativa marcante para a actividade profissional dos médicos que se enquadra nas finalidades e nos princípios de actuação claramente referidos no seu Estatuto e que pretende ser um contributo digno às orientações emanadas do Executivo em matéria de saúde para o período 2017-2022.

O XII Congresso adoptou o lema referido na medida em que urge fortalecer a ideia de envolvimento e participação dos cidadãos e comunidades, de que a municipalização é um instrumento decisivo. Refira-se que é no quotidiano das prestações de saúde que faz sentido incentivar a participação dos cidadãos, de modo que em cada acto médico floresça a ideia de conscientizar, educar e alertar.

Face ao vasto leque de temas que o programa científico inclui, teremos a oportunidade de partilhar ideias, analisar problemas comuns e trocar experiências que, estou certo, promoverão um debate do qual surgirão novas ideias com reflexos na prática clínica.

Agradeço a presença das mais altas Individualidades governamentais, presentes ou fazendo-se representar, emprestando, assim, um concreto e institucional apoio e um significativo incentivo à realização do Congresso e, muito directamente, às grandes causas da saúde no nosso País.

Uma palavra de saudação e de agradecimento aos ilustres palestrantes que nos apresentarão os seus conhecimentos e experiências.

Agradeço a todos os patrocinadores e expositores pelo seu envolvimento no Congresso.

Finalmente, convido todos os médicos a participar activamente nos debates, contribuindo para a dignificação do Congresso e para o engrandecimento da nobre profissão que abraçamos.

Bem-vindos!

 

 

 

 

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Cancro da mama

Instituto Angolano de Controlo de Câncer e Roche assinam acordo para prevenir e melhorar tratamento de doentes

 

Francisco Cosme dos Santos

e  Rui Moreira de Sá

 

O Instituto Angolano de Controlo de Câncer (IACC) e a empresa farmacêutica Roche realizaram nos dias 30 de Novembro e 1 de Dezembro, em Luanda, uma Conferência dedicada ao tema “Desafios na abordagem ao cancro de mama – do diagnóstico ao tratamento”. No final, assinaram um acordo de parceria para desenvolver o conhecimento da doença, melhorar o diagnóstico, formar profissionais de saúde e permitir o acesso a tratamentos inovadores a custo reduzido.

 

De acordo com o director-geral do IACC, Fernando Miguel, “parceiros que queiram trabalhar em conjunto com as instituições angolanas no sentido de melhorar a assistência aos pacientes são sempre bem-vindos”. O protocolo agora assinado com a Roche “é de grande valia porque, entre outros benefícios, disponibiliza produtos desta multinacional para os tratamentos dos doentes, pelo que o país sai a ganhar”, disse ao Jornal da Saúde, à margem da conferência.

Segundo este responsável, o cancro da mama “lidera as estatísticas das doenças do foro oncológico em Angola e constitui, por isso, um problema bastante sério que carece de uma grande intervenção por parte das autoridades angolanas”. Segundo os dados de 2016, “registam-se cerca de 300 novos casos de cancro da mama por ano, maioritariamente em mulheres”, revelou.

Por sua vez, o presidente da Liga Angolana Contra o Cancro, André Panzo, adiantou que eventos deste género “devem ser realizados com frequência, porque o cancro, a nível mundial, é um surto não declarado e por cada dia que passa as consequências são mais devastadoras, com um aumento do número de vítimas”.

As actividades de parceria previstas no acordo incluem, de acordo com o gestor da Roche, Gonçalo Marques, “programas de consciencialização sobre a doença, rastreios para  a sua detecção precoce, apoio para o estabelecimento do IACC como centro de excelência para o acompanhamento e tratamento destes casos, a melhoria das suas instalações e capacidade de diagnóstico através da instalação de uma máquina Roche-Ventana para o diagnóstico dos subtipos de cancro de mama, a criação de vias de referenciação para rastreios em centros terciários, a formação de especialistas, ajuda à participação em eventos nacionais e internacionais da área, apoio ao desenvolvimento de registos oncológicos nacionais para determinação do impacto da doença e acesso a medicamentos da Roche para o tratamento do cancro de mama Her2+ a preços reduzidos”.

Segundo este responsável, pretende-se que “esta parceria constitua um avanço importante para as doentes angolanas com cancro da mama. O foco na consciencialização e diagnóstico, juntamente com a formação dos profissionais de saúde, a capacitação para o diagnóstico dos diferentes tipos de cancro de mama e a melhoria do acesso aos tratamentos vai contribuir para alterar o panorama desta doença para as mulheres angolanas”.

 

O cancro da mama em Angola

O cancro da mama é a segunda principal causa de morte oncológica em Angola. A detecção precoce do cancro da mama continua a ser um factor determinante no controlo da doença. Se for detectado precocemente, e se o diagnóstico e tratamento adequado estiverem disponíveis, há uma boa probabilidade de o cancro da mama poder ser curado. A maioria das mortes ocorre em mulheres com cancro da mama diagnosticado em fases avançadas da doença.

Programa da conferência

A conferência, muito participada, contou com a presença, como oradores, de Carlos Lopes, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e de Emília Ribas, da Clínica Sagrada Esperança, que falaram sobre carcinogénese e subtipos histológicos e moleculares de cancro da mama, de Ema Gonçalves, da Roche, que apresentou as soluções desta empresa para o diagnóstico histológico do cancro da mama, de Fernando Miguel, director-geral do IACC e Lygia Vieira Lopes, da Clínica Sagrada Esperança, que dissertaram sobre o cancro da mama em Angola. Esta médica, em conjunto com Lúcio Lara Santos, do Instituto Português de Oncologia do Porto, desenvolveram o tema do tratamento cirúrgico. A rádio-oncologia esteve a cargo de Guy Vieira, do Grupo Joaquim Chaves Saúde e de Isabel Vunda, do IACC. Este último médico, juntamente com Noémia Afonso, do Centro Hospitalar do Porto e Isabel Sales, do IACC, debruçaram-se ainda sobre o tratamento sistémico. Finalmente, João Mouta dissertou sobre a Roche como parceira na mudança de paradigma do tratamento do cancro da mama HER2 positivo e Gonçalo Marques apresentou o projecto TRACMA, após o que finalizou a sessão.

 

 

 

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Mostra das Inovações.

A Feira Médica de referência em Angola

 

Em simultâneo com o XII Congresso Internacional dos Médicos em Angola, a MÉDICA HOSPITALAR 2018 – 5º Salão Internacional do Equipamento Médico-Hospitalar,  Tecnologia, Medicamentos e Consumíveis apresenta aos médicos de todas as especialidades, gestores hospitalares,directores provinciais de saúde, administradores municipais, outros técnicos de saúde e demais autoridades públicas e decisores, toda a oferta do mercado do sector da saúde.  A MÉDICA HOSPITALAR posiciona-se como a feira especializada de referência, ao congregar a procura e a oferta global do sector da saúde em Angola, num ambiente profissional. Constitui uma oportunidade única para os fornecedores apresentarem os seus produtos e equipamentos junto dos prescritores e decisores interessados em conhecer as novas soluções.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Acidente vascular cerebral.

Como enfrentar uma das epidemias não transmissível de crescimento rápido

 

Adilson Cláudio Marcolino

 

O acidente vascular cerebral (AVC) é uma das condições neurológicas mais prevalentes e devastadoras em comparação com outras pertubações neurológicas.

 

Mantém-se, apesar de inúmeros esforços, sobretudo em países de média a alta renda como princial causa de morte e de incapacidade para o adulto. A evidência obtida de grandes estudos epidemiológicos revelou que os factores de risco para as doenças vasculares cerebrais em diferentes partes do mundo são similares.

Em Angola, os dados epidemiológicos sobre doenças vasculares cerebrais são escassos.

Segundo as informações do estudo Global Burden of Disease para a região da África subsaariana, foi observado um aumento na incidência do AVC isquémico padronizado por idades, no período compreeendido entre 1990-2010, que variou entre 5,2% (África do Sul) e 27,8% (República Democrática do Congo). Para o AVC hemorrágico, o aumento da incidência variou entre 13% (Gâmbia) e 45,7% (Burundi).  Assim, com base nas evidências disponíveis limitadas, a incidência de AVC em África não é apenas uma das maiores do mundo, sendo também sua taxa de aumento significativa em comparação com outras regiões do mundo.

Enquanto a incidência e as taxas de mortalidade têm vindo a diminuir consistentemente nas últimas décadas nos países desenvolvidos à custa do aperfeiçoamento no meneio agudo do AVC e do maior investimento no controlo dos factores de risco, sobretudo a hipertensão arterial, nos países em desenvolvimento, todavia, a incidência e taxa de mortalidade estão em elação.

A abordagem que se segue irá incidir seu foco sobre a arma mais poderosa e intemporal da medicina: a prevenção primária no AVC.

 

Factores de risco para a doença vascular cerebral

Graças a vários estudos, tem-se compreendido o papel dos factores de risco no desenvolvimento das doenças vasculares cerebrais.

Assente nos mesmos, estabeleceram-se alguns factores de risco comprovadamente associados ao desenvolvimento das doenças vasculares cerebrais. Assim, foram identificados aqueles classificados como definitivos e não modificáveis, os modificáveis e os potencialmente modificáveis, conquanto sobre estes últimos persiste dúvidas acerca do seu peso como factor de risco, necessitando de mais estudos para melhor caracterização.

 

Factores de risco não modificáveis: idade, género, raça negra e etnia hispano-americana, origem geográfica, factores genéticos, acidente isquémico transitório (AIT) ou AVC prévio.

 

A história familiar de AVC em pais e irmãos está assoaciada a um maior risco de AVC, podendo ser conferido pela transmissão de genes causadores de doenças hereditárias raras, exempli gratia: CADASIL, doença de FABRY, doenças do colagénio, neurofibromatose, anemia de células falciformes, coagulopatias e MELAS.

 

O AIT eleva o risco de AVC, sendo o risco maior de sua ocorrência no período próximo (13% e 21,4 % ao ano). O risco de recorrência de AVC é também muito alto, até 20% aos 90 dias, condicionando o dobro da mortalidade.

 

Factores de risco potencialmente modificáveis, com peso no desenvolvimento de doenças vasculares cerebrais, destaca-se: a hipertensão arterial (HTA), diabetes mellitus (DM), dislipide­mia, tabagismo, fibrilhação auricular persistente ou paroxística (FA), estenose carotídea aterosclerótica, álcool, obesidade e distribuição abdominal de gordura corporal, sedentarismo, dieta.

A hipertensão arterial (sistólica ≥ 140 e diastólica ≥ 90 mmhg) é, sem sombra de dúvidas, o factor de risco mais importante por causa da sua associação com todos os tipos de AVC, risco que duplica a cada aumento de 7,5 mmhg da TAD. Entretanto, a evidência actual demonstrou benefício na redução de 10 mmHg pressão sistólica e 5 mmHg na diastólica, independentemente da pressão arterial antes do tratamento, contribuindo assim para a redução do AVC numa ordem de 41%.

 

Diabetes mellitus é outro factor de risco para o AVC e a semelhança da HTA, esta associada a todos os tipos de AVC´s, sendo factor de risco independente para o AVC isquémico. Todavia, este risco poderá ser diminuído mediante seu tratamento intensivo e, se presente, recomenda-se também o tratamento da hipertensão e dislipidemia.

 

Relativamente a pré-diabetes (glicose em jejum de 110 a 126 mg/dl) o risco relativo para o AVC isquémico varia de 1,5 a 2,1.

O colesterol total elevado e o colesterol HDL baixos são factores de risco para o AVC isquémico em ambos os sexos. A probabilidade dos doentes com colesterol total > 240 mg/dl terem um AVC isquémico é superior ao dobro da probabilidade dos doentes com colesterol total < 240 mg/dl.

 

Os resultados das duas meta-análises de 2006 e 2010 de doentes que usam terapia com estatinas, mostram que a redução no LDL-C em 1 mmol / l (39 mg / dl) resulta em uma diminuição da incidência de AVC isquémico em 16-17%, independentemente da idade, da pressão arterial e do perfil lipídico antes do diagnóstico.

O tabagismo aumenta o risco duplamente para as doenças vasculares cerebrais e três vezes para o AVC isquémico e hemorragia subaracnóideia. Este aumento do risco deve-se ao efeito protrombótico do tabaco, a alterações hemodinâmicas e a promoção de doenças ateroscleróticas levando a formação de estenoses arteriais.

A associação mais forte entre tabagismo e AVC foi observada entre as mulheres fumantes, especialmente entre aqueles que tomam contraceptivos orais e têm enxaqueca com aura. Além disso, o risco cresce com o número de cigarros fumados (odds ratio, aumentando de 2,2 para 2,5, 4,3 e 9,1 para o consumo de 1-10, para 11-20, para 21-39 e para 40 ou mais cigarros fumados por dia, respectivamente), mas podem desaparecer nos primeiros 5 anos após a cessação do tabagismo.

O tabagismo passivo aumenta também o risco de AVC (25%) e a doença vascular em geral.

A fibrilhação atrial é um factor de risco cardíaco comum. Não obstante, mostrou aumentar independentemente o risco de AVC de 2 a 10 vezes entre todas as faixas etárias, sobretudo naqueles com mais de 80 anos (10%), sendo deste modo responsável por 10 a 15% dos AVC isquémicos.

Nos doentes com FA, a anticoagulação oral reduz a taxa de AVC isquémico em cerca de 70% e o ácido acetilsalicílico em cerca de 21%.

A escala de CHA2D S2VASC permite estratificar o risco de AVC em doentes com FA, atribuindo pontuação de 1 ou 2 cada um dos itens, se presentes (C: insuficiência cardíaca congestiva; H: HTA; A: idade 64-75 anos-1 ponto; >75 anos - 2 pontos; D-DM; S: AIT ou AVC isquémico prévio/ tromboembolismo prévio; S: sexo feminino). A partir de 2 pontos, o doente é considerado de alto risco e tem de ser anticoagulado.

O índice de massa corporal superior (IMC: peso (kg)/altura2 (m) a 25 corresponde a excesso de peso, o qual está associado de forma proporcional, a um maior risco de AVC, além de se associar a outros factores de risco que aumentam o risco de AVC (HTA, DM, dislipidemia). O risco relativo de AVC para IMC >30 é de 1,8 a 2,4.

A distribuição da gordura abdominal também está associada a um maior risco de AVC se o perímetro de cintura for superior a > 102 centímetros no homem e superior a 88 centímetros na mulher.

A atividade física moderada reduz o risco de AVC (sobretudo nos homens), sendo mais eficaz se a atividade física for intensa, resultando numa redução de 19% no risco de desenvolver AVC, em ambos sexos; a mesma é util também na correção de outros factores de risco vascular como a HTA, DM e dislipidemia.

No estudo INTERSTROKE de 2009, a dieta mediterrânea – rica em vegetais, legumes, frutas, peixe, cereais, azeite e produtos lácteos – foi associada ao risco reduzido de AVC, por controlar de forma benéfica alguns factores de risco importantes (HTA, DM e dislipidemia). Em contrapartida, uma dieta rica em carne vermelha, ovos, alimentos fritos, salgados, culinária com banha e consumo exabundante de álcool foi associada a um risco aumentado de AVC.

Factores de risco vascular cerebral menos bem estabelecidos e potencialmente modificáveis: síndrome metabólica, anticoncepcionais orais (ACO), gravidez, drogas de abuso, síndrome da apneia do sono, enxaqueca, stress / depressão psicossocial, cardiopatias de risco embolígeno baixo ou indeterminado, aterosclerose do arco aórtico, trombofilias.

Síndrome metabólica: trata-se de uma associação de factores de risco cuja fisiopatologia subjacente se supõe relacionada à resistência à insulina. São eles: obesidade abdominal, hipertrigliceridemia > 150 mg/dl, colesterol HDL < 40 mg/dl no homem e 50 mg/dl na mulher; pressão arterial ≥ 130-85 mmhg; glicose em jejum ≥ 110 mg/dl.

Anticoncepcionais orais: estão associados a um risco relativo de AVC de 2,1%. No entanto, este risco é minimo em termos globais, dada a utilização destes fármacos e se comparado a complicações potenciais de uma gravidez.

Este risco aumenta sobretudo nas mulheres que estejam a fazer anticoncepcionais e coexista com alguns outros factores de risco simultâneos, tais como a idade superior a 35 anos, tabagismo, HTA, DM, obesidade, enxaqueca com aura, trombofilia condicionada geneticamente, pelo que devem ser evitados nestas situações.

A gravidez triplica o risco de ter AVC, principalmente no periparto e no puerpério. Como factores de risco que podem de alguma forma aumentar a predisposição para o AVC, salienta-se a enxaqueca com aura, trombofilias, doença cardíaca, HTA, trombocitopenia, idade superior a 35 anos, eclâmpsia e pré-eclâmpsia grave.

Há um aumento na incidência de AVC isquémico e hemorrágico em consumidores de drogas como heroína, cocaína, anfetaminas e LSD e só de AVC isquémico em consumidores de marijuana.

Síndrome da apneia do sono: a roncopatia, enquanto marcador da apneia do sono, é um factor de risco independente para o AVC; os mecanismos subjacentes ao aumento do risco são multifactoriais, incluindo HTA, arritmias cardíacas e hipercoagulabilidade, entre outros.

Embora o risco absoluto seja pequeno, a enxaqueca tem sido consistentemente associada a AVC na mulher jovem. Esse risco aumentado verifica-se numa forma de enxaqueca chamada de enxaqueca com aura, em particular se em associação com o tabagismo e ACO.

Para além da FA, existem outras cardiopatias que, isoladamente, parecem ter baixo potencial embolígeno, exempli gratia: foramen ovale patente (FOP), aneurisma do septo interauricular, prolapso da válvula mitral, estenose aórtica calcificada e insuficiência cardíaca congestiva, entre outras.

De todas as cardiopatias, a mais polémica é a relação de causalidade entre FOP e o AVC isquémico, em particular no adulto jovem, podendo ser encontrada em até 40 % dos doentes com AVC isquémico abaixo dos 55 anos. Entretanto, se para além da existência de FOP, coexistir aneurisma do septo interauricolar, o risco anual de recorrência de AVC isquémico é quatro vezes superior ao do FOP isoladamente em indivíduos com menos de 55 anos.

A presença de placas ateroscleróticas com potencial embólico a nível do arco aórtico (protusão no lúmem superior a 4-5 mm), confere um risco relativo de AVC recorrente e outros eventos isquémico entre 1,6 e 4,3%.

Estado de hipercoagulabilidade (trombofilias) congénitos ou adquiridos parecem ser factores de risco exclusivamente de trombose venosa cerebral, à excepção da presença de anticorpos antifosfolipídeos que parecem condicionar, também, o risco aumentado de AVC isquémico.

O sofrimento psicológico abrange uma ampla gama de emoções que geralmente prejudicam as funções cognitivas e sociais diárias: inclui a depressão, ansiedade, stress (ocupacional), nervosismo e frustração.

Escassos estudos apontam para uma provável relação entre sofrimento psicológico e incidência de AVC.

 

Prevenção primária

A prevenção, no sentido de reduzir o risco de recorrência do primeiro AVC numa pessoa assintomática, baseia-se sobretudo na identificação e tratamento dos factores de risco modificáveis mencionados anteriormente.

Salienta-se a HTA, DM e a dislipidemia para as quais, para além da correção dos estilos de vida, existe tratamento medicamentoso que deve ser usado em terapêuticas adequadas.

Atinente aos fumadores, estes devem ser aconselhados a deixar de fumar, pessoas com índice de massa corporal elevado devem reduzir o peso e todos devem praticar exercício físico regular (evidência aponta benefício para o exercício intenso) e uma dieta equilibrada pobre em sal, gordura saturada e rica em fibras, frutas e legumes. O consumo excessivo de álcool deve ser desencorajado.

Os doentes com estenose assintomática da artéria carótida interna superior a 50% devem fazer anti-agregação plaquetária com AAS (vulgo aspirina) e mesmo que esta estenose seja significativa (60-99%) não deve ser tratada cirurgicamente (nem por stent) excepto em situações particulares de alto risco.

Concernente à FA, evidência robusta indica-a como factor de risco comum para o AVC. Conforme o estudo “High prevalence of atrial fibrillation in patients admitted to University of Gondar Hospital, Northwest Ethiopia”, a FA foi comum em doente idosos (>75 anos), sem diferença estatisticamente significativa em relação ao sexo e com influência negativa sobre o prognóstico.

Nos doentes com FA não valvular com baixo potencial embolígeno (CHA2-DS2-VASC=0) não está indicado o tratamento antitrombótico como prevenção primária do AVC. Os doentes com risco intermédio devem ser idealmente anticoagulados ou em alternativa antiagregados com aspirina.

 

 

 

Referências bibliográficas

NCBI. National Center for Biotechnology Information. Cerebrovascular Risk Factors and Stroke Subtypes Differences Between Ethnic Groups. Dallas, january, 2001.

Disponível em <https://www.ncbi.nlm.nih.gov>. Acesso em 10.11.2017

 

NCBI. National Center for Biotechnology Information. Differences in the distribution of stroke subtypes in a UK black stroke population –final results from the South London Ethnicity and Stroke Study. London, May, 2016.

Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov>. Acesso em 16.11.2017

 

NCBI. National Center for Biotechnology Information. Epidemiology and prevention of stroke: a worldwide perspective 2012. Atlanta, february, 2012.

Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov>. Acesso em 20.12.2017

 

NCBI. National Center for Biotechnology Information. Ethnic differences in incidence of stroke: prospective study with stroke register. London, april, 1999.

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NCBI. National Center for Biotechnology Information. High Burden of Stroke Risk Factors in Developing Country: the Case Study of Bosnia-Herzegovina. Bosnia-Herzegovina, September, 2017.

Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov>. Acesso em 08.01.2018

 

NCBI. National Center for Biotechnology Information. The Incidence and Characteristics of Stroke in Urban-Dwelling Iranian Women. Iran, june, 2017.

Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov>. Acesso em 10.01.2018

 

SÁ, MARIA JOSÉ: Neurologia clínica. Compreender as doenças neurológicas, 2ª edição. Porto. Edições Universidade Fernando Pessoa. 2014.

 

 

 

 

 

 

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Medicamentos “resistem” no paralelo

 

Olhares descontraídos, disfarçados, mas sempre atentos para o que der e vier. É dessa forma que dezenas de comerciantes impulsionam, no mercado paralelo nas ruas de Luanda, um negócio que há nove anos resiste à lei: a venda de fármacos ao ar livre.

Uma investigação jornalística realizada, em Janeiro, por por Claudete Ferreira, Eurídice Vaz da Conceição e Marcela Ganga, da Angop, mostra que em vários mercados da província, milhares de medicamentos continuam à mercê da população, sem ter em conta a sua qualidade e origem.

O negócio foi proibido a 14 de Maio de 2009, pelo Governo Provincial de Luanda, que interditou a comercialização de medicamentos em locais impróprios e inadequados.

Todavia, a proliferação de fármacos em locais proibidos continua a ser feita à luz do dia, à porta de farmácias (em pequenas quantidades), ou nos principais mercados informais (a grosso).

A escassez de medicamentos é um dos principais problemas dos hospitais que enfrentam dificuldades para corresponder às solicitações. É no mercado paralelo onde centenas de pacientes encontram solução para as receitas médicas.

A odisseia dos jornalistas começou no mercado do Kikolo, em Cacuaco, onde os medicamentos ficam à mostra no chão, por cima de panos facilmente manobráveis, em caso de necessidade de fuga. Seguiu-se o mercado dos Kwanzas onde se comercializam produtos hipertensivos, abortivos, anti-concepcionais, diuréticos, anti-inflamatórios, analgésicos, antitumoral, antipiréticos e materiais cirúrgicos, em forma de ampolas, injectáveis, soros, xaropes, pomadas, comprimidos, spray, supositórios e cápsulas, entre outros.

Segundo o chefe do departamento de saúde pública do Serviço de Investigação Criminal, da Polícia Nacional, Edmundo Feio, a razão principal da existência de medicamentos nos mercados informais a céu aberto é “a alta procura dos consumidores/ pacientes e a fraca oferta de medicamentos no sistema legal”.

Para o seu combate, e ainda de acordo com a Angop, este responsável  assegurou haver um “trabalho regular com instituições, como a Inspecção Geral da Saúde, a Polícia Fiscal e a Administração Geral Tributária”.

 

 

 

 

 

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